Lather e o avião

Costumo ouvir os mesmos discos, até gastar os bits. Consigo alguma discografia, escolho alguns discos e escuto semanas a fio. Uma pena que não tenha Last.fm no trabalho, pois não fica registro. Nos apegamos muito a certas bandas ou discos. Mas depois passa a febre. Como de uma temporada na praia, ficam só as boas lembranças.

Passam os anos, buscamos novas diversões, “outros sons, outras batidas, outras pulsações”. Vai ficando mais difícil com o tempo. Talvez seja a chatice ou a preguiça.

Mas aí aparece o museu de novidades. Você cruza com aquele disco de que nem se lembrava. Daquela banda de que ninguém mais falou. Daquele ambiente que seus convivas não convivem. E você fica pensando sozinho, sentindo como é bom. Como é bom redescobrir.

Child! Devia fazer uma década desde que eu havia escutado este disco pela última vez. Que sensação maravilhosa, ouvir a mesma voz de tanto tempo atrás. A música manteve-se antiga, a voz ainda é jovem. Quando os alto-falantes declamam a canção, o ambiente continua se transformando, transportando os late seventies para o entorno da sala, ou a sala para dentro deles.

Desta vez, quem me despertou foi a faixa de abertura do disco Crown of Creation, do Jefferson Airplane: “Lather”. Cada carícia da voz infatilizada da Grace Slick leva-nos a um mundo único.

A letra é sobre um rapaz de trinta anos que começa a se dar conta da realidade do mundo adulto. Eu recomendaria aqui o link do vídeo, mas, se você tiver acesso, sugiro escutar o disco antes do contato visual. É uma experiência de imersão, musicalidade da primeira categoria.

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