O fast-food do saber num tempo em que qualquer saber enche a barriga

Estou vivendo um momento e o momento é de resignação, reflexão e reavaliação. Tenho procurado cuidar mais do meu umbigo, mas sem deixar de prestar atenção nos umbigos dos outros, apenas buscando manter meu dedo longe deles, porque tenho nojinho e porque a idade não permite mais que eu me divirta com esse tipo de mundanice.

Nessa constante brincadeira metafísica de desvendar o ser humano e, nos entretantos, ver se me encontro no caminho, algumas vezes fui direcionada a palestras do TED. Pra quem não sabe do que se trata, o TED é um seminário que acontece anualmente em San Francisco e que reúne gente da mais alta estirpe (ou não), que tem algo interessante, inspirador ou inovador a dizer sobre qualquer assunto que possa fazer do mundo um lugar mais legal ou mais interessante. Em 18 minutos, os palestrantes dos seminários (hoje um megaevento itinerante com edições em diversas cidades do mundo) têm a missão de nos entreter, encantar e cativar. Como tudo o que a gente mais ama nessa interwebs, o conteúdo de todas as palestras já promovidas está integral e gratuitamente disponível no site do evento (meu marido pira que se não estamos pagando é porque somos a mercadoria; nem dê bola).

Eu gosto. MUITA GENTE gosta: hoje, as palestras somam mais de um bilhão de views. É uma forma leve de conhecer pouco sobre muitas coisas e, com as cócegas criadas, saber mais a respeito delas ou deixá-las para lá. Não dá pra chamar de conhecimento na acepção acadêmica da palavra, mas certamente faz mais pelas suas sinapses do que os vídeos do Kibe Loco (desculpa: nunca ri).

Faz uns meses, a Revista Época fez do TED sua matéria de capa (mostrando o quanto eles entendem de interwebs, só têm acesso ao conteúdo no site os assinantes). Guardo só uma vaga lembrança do texto, que me deixou encafifada porque tentava desmerecer o conteúdo do TED justamente por um dos seus aspectos mais atraentes nesses tempos de urgência e pressa: a duração das palestras e o quanto isso poderia ser superficial. Claro que é, pô! Mas não é por isso que perde valor, e apenas uma OUTRA coisa, diferente dos formatos que a maioria está habituada a consumir. O fato de o conteúdo ser em vídeo já é uma grande jogada (pega o dado: o Youtube é a segunda ferramenta de busca mais usada no mundo), melhor ainda é o vídeo ser relativamente curto e conseguir envolver-nos, os adultos ocupados, e também a geração SMS, que mal consegue manter a concentração durante a leitura de um parágrafo. Que saco, gente quadrada.

Não me lembro mais porque comecei a falar disso, mas voltaremos em breve ao TED num próximo post da saga em que me busco. Enquanto isso, fique com Rosana Hermann:

Beijo tchau.

§ verbete do dia: JULGAR. 1. ocupação daquele que não se entretém com a própria pequeneza; 2. esporte cuja partida habitualmente começa com embate entre times, mas que costuma acabar com cada um dos praticantes isolados e sozinhos antes do apito final; 3. do dito popular: “quem desdenha quer comprar“; 4. enxada, falta de.

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3 respostas a O fast-food do saber num tempo em que qualquer saber enche a barriga

  1. Vc vai gostar da Endeavor Mrs. Carlotz, nos vemos no CEO Summit!

  2. Pingback: A Crente - Subterfúgios

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